quarta-feira, 23 de maio de 2018


COMA UM SAPO VIVO TODAS AS MANHÃS
MILTON MACIEL
“Eat a live frog first thing in the morning, and nothing worse can happen to you the rest of the day”
(Mark Twain)


“Primeira coisa na manhã: coma um sapo vivo; e nada pior pode acontecer para você o resto do dia.”  Esta brilhante tirada satírica do grande escritor norteamericano Mark Twain (1835-1910) serve para dar colorido a uma sugestão que é frequente nos meios acadêmicos e científicos: Escolha para primeira tarefa do dia aquela que você considera a mais trabalhosa, menos agradável ou mais cansativa. Escolha o seu sapo!

A razão para isso é que, logo ao início do dia, estamos mais descansados e no auge da nossa capacidade de fazer e persistir. Depois, à medida que o dia avança e vamos trabalhando em nossas tarefas diárias, vamos ficando progressivamente mais fatigados e desestimulados. Inúmeras pessoas ansiando somente pelo bendito momento em que podem parar e voltar para casa.

Não importa se você é um ciclotímico diurno ou ciclotímico noturno.  Em ambas as hipóteses, o fato é que sua mente está mais descansada logo ao início do dia de trabalho. Logicamente, para o ciclotímico diurno, aquele que naturalmente acorda cedo e muito bem disposto, é um tanto mais fácil ter disposição para deglutir seu sapo matinal.

Mas, mesmo para quem é ciclotímico noturno, aquele que odeia acordar cedo e rende mais depois que o sol se põe, não deixa de ser verdade que o descanso do sono na noite anterior deixa-o também em condições de ter mais capacidade de ação e persistência quando começa sua nova jornada diária.

E PERSISTÊNCIA é a chave de tudo isso. Quando a tarefa a fazer é mais cansativa, menos agradável, mais trabalhosa ou produz em você maior insegurança, a tendência natural da pessoa é desistir logo, achar que não vai dar conta, procrastinar, deixar isso para fazer depois. Só que depois ela já pode estar cansada ou atarefada demais. E, nesse depois, com o passar do tempo do dia ou dos dias, e seu sapo cresce e fica ainda mais difícil de engolir vivo.

Portanto, siga a sugestão de Twain: coma seu sapo vivo logo ao início da manhã. E tudo o mais, durante o resto do dia, não haverá de ser mais complicado.

Tenha coragem: coma o seu sapo logo de início e descomplique o resto do seu dia. Da sua vida, mesmo, conforme o tamanho do sapo que você estava evitando encarar – talvez por puro medo.

Medo de não ter competência. Ou medo de sofrer. Como Carl Gustav Jung, o psicanalista suíço, tão bem demonstrou, as pessoas fazem coisas incríveis, incoerentes, por medo de sofrer um pouco ao encarar de frente um problema ou tarefa desagradável, de tal forma que acabam se complicando todas e sofrendo muito mais e por mais tempo.

É como o sujeito que não vai ao dentista porque tem medo da injeção e daquela maquininha ruidosa. E prefere continuar com a dor de dente de todos os dias.

Então, amanhã cedo, escolha o seu sapo e ... bon apetit!



sábado, 5 de maio de 2018


UM BURRO CARREGADO DE LIVROS
MILTON MACIEL

O psicólogo norteamericano Stephen Arroyo afirmou, a respeito da função Intelecto na psique :
“O Intelecto é um servo muito bom, mas pode ser um amo muito mau”.

Ele se refere ao aspecto bipolar da função intelecto, que tem duas vias: entrada e saída, input e output. Pela primeira via você absorve informação, pela segunda via você a expele.
Evidentemente, as pessoas ditas intelectuais são aquelas que têm um grande predomínio da função Intelecto na psique.

Existe uma natural tendência de sobrealimentarmos a função input, isto é, procurar sempre mais e mais informação; saber mais, ler mais, acumular mais conhecimento. Há pessoas que hipertrofiam de tal maneira a função input, que se tornam quase incapazes de exercer a função output.

De um modo geral, essa pessoas se tornam teóricas, estão sempre à cata de novas informações, novos livros, mais livros, novos cursos, mais cursos, novas graduações, novas pós-graduações, ad infinitum. Não se dão tempo, não gostam, não se sentem seguras, se tiverem que produzir algo concreto com essa interminável corrente de entrada de informações. São teóricos, assimiladores. Sua segurança emocional está em ostentarem o tamanho da massa de informação que foram capazes de adquirir, embora, nem sempre, de reter na mente. Com isso é que buscam se distinguir, é onde colocam o seu orgulho. Procuram impressionar com o tamanho de suas bibliotecas, os autores todos que dizem ter lido. São os absorvedores do conhecimento produzido pelos outros. A posição é centrípeta e egoística, visa satisfazer a necessidade do indivíduo de assimilar compulsivamente mais e mais informação.

Já o pessoal da saída, do output, mal assimila uma unidade de informação, tudo o que deseja é colocá-la em prática imediatamente. São, portanto, práticos, produtores. São fazedores e com isso é que buscam se distinguir: com a qualidade e/ou a quantidade de suas obras realizadas. De um modo geral são indivíduos que adoram ensinar, transmitem o conhecimento à medida que o vão assimilando, não o represam em si. São os distribuidores do conhecimento produzido pelos outros e por si mesmos. A posição é centrífuga e altruística, visa satisfazer a necessidade de ação, compartilhamento e distribuição da informação.

Mas o Intelecto só fica equilibrado quando as duas funções, input e output, são exercidas em partes iguais.

 No entanto, é muito mais fácil vermos a hipertrofia da função input. Justamente porque ela é mais prazerosa e não implica necessidade de trabalho prático, pois é centrípeta. Ler, assistir vídeos, ouvir, aprender é sumamente agradável para o intelectual tipo input. É fonte de prazer e de autogratificação.

O mesmo psicólogo Arroyo diz a respeito deles:

“Uma pessoa instruída, que, o tempo todo, só quer buscar mais e mais informação, sem fazer nada de prático com o conhecimento que acumulou, tem o mesmo valor que um burro carregado de livros”.

É nesse sentido que ele afirmou que o Intelecto pode ser um amo muito mau. Exatamente quando ele assume o controle e o indivíduo age movido quase integralmente pela função input.

Dirigindo-se especificamente a escritores, o romancista paranaense David Gonçalves costuma sempre perguntar:

“E a obra? O que é que estão produzindo, escrevendo? Cadê a obra?”

Na minha opinião pessoal, a acumulação de conhecimento nos torna automaticamente responsáveis por ele e devedores dos outros. Esse conhecimento que nós fomos buscar, nos veio integralmente dos outros, dos nossos predecessores, dos nossos instrutores, dos livros que lemos. No instante em que nos adonamos, pelo esforço de aprendizado, desse conhecimento, temos a obrigação moral de passá-lo adiante. E não apenas como ele nos chegou, mas acrescido da nossa colaboração pessoal. O conhecimento não pode chegar e parar num indivíduo. Tem que ser enriquecido na sua mente e imediatamente compartilhado, espalhado e difundido, caso contrário todo progresso humano para. O que se aprende tem que ser ensinado.

E a enorme massa de conhecimento que o escritor acumulou tem que ser constantemente transformada em livros e mais livros, em palestras, em filmes, em cursos.

Está certo David Gonçalves: Cadê a obra?

E você? O que você está produzindo?

quinta-feira, 5 de abril de 2018

domingo, 1 de abril de 2018


MANOEL DA NÓBREGA: O FUNDADOR de São Paulo é o CRIADOR do Rio de Janeiro
MILTON MACIEL
(Excerto do livro VILLEGAIGNON NO INFERNO – 
Vol. 4 da Série de “DE FRANÇA E BRASIL”) 

... O jovem Estácio sentia-se mais abatido do que nunca. Que cruz tomara sobre seus inexperientes ombros! Voltara de Portugal com a específica incumbência de fundar uma vila bem no coração das terras tamoias. Ou seja, no meio de milhares de ferozes inimigos. E com suas poucas centenas de homens em armas! Agora, fundeado em São Vicente, encetara a difícil subida da serra até Piratininga, para se aconselhar com Padre Nóbrega, como lhe exigira seu tio Mem de Sá, o governador geral.

– Não posso, padre! É responsabilidade demais para mim. Tenho só 21 anos. Se eu fracassar... Não somente eu estarei acabado antes de começar, mas serei responsável pelas mortes de todos estes bons homens que lidero agora.

O padre Manoel da Nóbrega, forte e rijo nos seus 44 anos, apesar das excruciantes dores nas varizes das pernas – ainda hoje o jovem José de Anchieta tivera que ajudá-lo, carregando-o duas vezes sobre suas costas corcundas – era um verdadeiro rochedo de determinação. Nada o faria desistir do seu plano de dar segurança à vila de São Paulo de Piratininga. E isso significava atacar o inimigo tamoio na baía de Guanabara. Fixou seus olhos com inconteste autoridade no jovem comandante português, de apenas 21 anos:

– Você pode meu filho! Não só pode, como deve. Deve essa atitude e essa ação a todos nós, os que vivemos e nos arriscamos nestas terras do sul. Deve aos abnegados de São Paulo de Piratininga, de São Vicente, de Cananéia, que a toda hora sofrem os mortíferos ataques desses tupinambás que se confederam como tamoios. E deve-o a sua rainha, que o encarregou pessoalmente de fundar essa vila fortificada lá no coração do território inimigo.

– Mas, padre, Se eu falhar... Como poderei me defender perante Sua Majestade?

– Você não precisará se defender. EU o defenderei, eu falarei por você. Eu assumo toda a responsabilidade. Deus estará com você e seus homens. E eu e José de Anchieta estaremos também. Subiremos para a Guanabara com todos os bergantins, galés e canoas que conseguirmos juntar aqui no sul. Cheios de bravos combatentes. E de Ilhéus virão mais naves grandes, virão os irmão italianos Bartolo, grandes capitães, à frente delas. Teremos uma grande força, poderemos fazer face aos tamoios, você vai ver.


Estácio de Sá deixou-se ficar alguns instantes com os olhos perdidos no infinito, sem nada ver, apenas pensando em sua espinhosa missão: tomar a baía de Guanabara para Portugal. Tomá-la em definitivo dos milhares de tamoios que a cercavam e dos remanescentes franceses.

Ali mesmo, poucos anos antes, o almirante francês Nicholas Durand de Villegaignon havia constituído sua débil França Antártica em 1555. Sem apoio do rei francês, cansado e desgastado, ele havia voltado para França em 1559 e, um ano depois, em 1560, seu tio, Mem de Sá, com a sólida ajuda deste mesmo inquebrantável padre jesuíta Manoel da Nóbrega e de forças que acorreram de Santos e de São Vicente, havia conseguido derrotar os 300 franceses remanescentes e destruir completamente o forte de Coligny na ilha e todas as edificações da praia do Flamengo.

Mas cerca de 30 franceses permaneceram no lugar, escondidos nos matos e vivendo com os índios. Eles mantinham aceso o comércio do pau-brasil com as naves francesas. E mantinha-se também, acirradíssimo, o ódio dos tamoios aos portugueses invasores. Rompida a débil paz de Iperoig, os ataques recrudesceram de parte a parte.

Por outro lado, Manoel da Nóbrega, um político de raríssima habilidade, tinha certeza que não poderia haver tranqüilidade enquanto a resistência dos tamoios persistisse. Na sua concepção, era essencial golpeá-los colocando um núcleo fortificado bem no centro de suas terras, que se estendiam de Cabo Frio até Bertioga. E esse centro nevrálgico, para ele, era na baía de Guanabara. Era ali, exatamente ali onde os franceses haviam tentado fixar sua malograda França Antártica, que deveria ser erguida a cidadela que embasaria a criação de uma verdadeira cidade européia.

E essa cidade, que ele e somente ele, com sua habilidade diplomática e sua persistência incansável,  havia conseguido convencer a própria rainha a criar, essa cidade era fundamental para que São Paulo pudesse existir. Paradoxalmente, uma cidade que seria criada por paulistas e portugueses, no que seria o Rio de Janeiro, haveria de ser o baluarte que garantiria a sobrevivência de São Paulo.

O hábil e visionário Manoel da Nóbrega foi assim, o grande cérebro por trás da fundação das duas maiores cidades do Brasil contemporâneo. Louvam-no por isso os paulistanos de hoje; esquecem-no, por desconhecimento histórico, os cariocas em sua maioria. Homenageiam apenas Estácio de Sá, cuja passagem pela Guanabara, depois da fundação da vila foi meteórica, abatido logo a seguir que foi pela flecha tamoia envenenada que o atingiu no olho e levou-a à morte lenta e sofrida dias depois.

Nóbrega a Anchieta estiveram com ele até o fim.

"A morte de Estácio de Sá - Óleo sobre tela - Antonio Parreiras, 1911)


sexta-feira, 16 de março de 2018


JOÃO RAMALHO EM DOSE DUPLA
MILTON MACIEL

Vem aí a segunda edição, bastante ampliada, de JOÃO RAMALHO NO PARAÍSO. E a sua continuação, JOÃO RAMALHO FUNDADOR, em sua primeira edição.

Esses romances históricos, criados com dinâmica de roteiros de cinema, contam, de forma original e divertida, a história desse que foi um português fundamental para a colonização do sudeste do Brasil. Aportado nas costas da atual São Vicente em 1512, quanto tinha apenas 19 anos, Ramalho foi acolhido pela tribo dos guaianazes, liderada pelo cacique Tibiriçá, de Inhapuambuçu, no planalto de Piratininga.

João casou com a filha do cacique, Bartira. E converteu-se em um perfeito índio. Aprendeu a falar tupi e passou a andar sempre nu, como todos os guaianazes. Era o verdadeiro ai-jesus das índias: teve 9 filhos com Bartira e mais 48 com diversas outras indígenas, tendo casado também com algumas delas  por serem filhas de caciques de outras tribos. Esses casamentos, segundo os costumes dos tupiniquins em geral, estabeleciam alianças estratégicas, passando João a ser considerado membro da família de cada novo cacique-sogro.


Os costumes sociais dos tupiniquins, a grande liberdade sexual das índias e a naturalidade de sua manifestação colorem as páginas da saga de Ramalho com cenas de muita sensualidade e com muita coisa realmente surpreendente.

Com seus filhos mestiços, à medida que eles cresceram, João Ramalho formou o primeiro exército legitimamente brasileiro. Comprava arcabuses e pólvora dos contrabandistas franceses e espanhóis, para armar seus soldados-filhos, completando o destacamento com centenas de indígenas armados de arco e flecha. Foi com tal exército que João Ramalho e seu sogro Tibiriçá salvaram a ainda infante São Paulo de Piratininga da destruição pelos tamoios invasores.

Foi João Ramalho, com seu exército, que permitiu que Martim Afonso de Sousa, em 1532, convertesse Tumiaru, o Porto dos Escravos, na São Vicente de casas de alvenaria. Foi João Ramalho quem fundou Santo André da Borda do Campo. E foi ainda João Ramalho que conseguiu a autorização de Tibiriçá para que os jesuítas de Manuel da Nóbrega erguessem, numa choça da aldeia de Tibiriçá, o Colégio de São Paulo de Piratininga, de onde se originaria nada menos do que a maior cidade do Brasil.

A imensa maioria dos orgulhosos paulistas quatrocentões tem o pé na taba, são descendentes de Ramalho, Bartira e das outras índias.

JOÃO RAMALHO FUNDADOR conta a saga dessas fundações e defesas, bem como do comércio de escravos indígenas com navegadores, portugueses, espanhóis e franceses. Apresenta Antonio Rodrigues e o Bacharel da Cananéia, o bombardeio de São Vicente por navio liderado por este último personagem, então aliado dos espanhóis. Ali em Cananéia passava o meridiano de Tordesilhas e, dali em diante, todas as terras mais ao sul pertenciam à Espanha. E vai, através da interação de Ramalho com Manuel de Nóbrega e José de Anchieta, até a baía da Guanabara, onde os franceses tentavam consolidar sua França Antártica, o que é narrado no terceiro volume da série, que se chama, com muita propriedade, "VILLEGAIGNON NO INFERNO", atualmente em editoração.

Essa série de livros tem o nome geral “DE FRANÇA E BRASIL” e se encerra com o quarto e último volume, “MONSIEUR LE PRINCE ESSOMERICQ”. Que é a história – contada sempre por ele mesmo – do indiozinho carijó de 14 anos levado para a Normandia pelo navegador Binot Paulmier, de Goneville, em 1504. Essomericq – maneira como os franceses conseguiam pronunciar o nome do indiozinho, que era Içá Mirim (ou seja, Formiguinha) acabou adotado por Binot, que lhe deu seu mesmo nome e o tornou herdeiro principal dos seus bens. Casando com uma parente de Binot e tendo com ela 14 filhos, Formiguinha foi o primeiro brasileiro que conquistou a Europa, morrendo aos 93 anos como um abastado comerciante normando. Seus descendentes propalaram que ele era um príncipe, posto que filho de um rei do Brasil, isto é, o cacique de uma tribo carijó.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Um belo evento o lançamento de
"A GUERRA DE JACQUES", ontem, no Círculo Militar, em São Paulo.

As pessoas nas filas de autógrafos
















Os três autores



















A outra fila
















terça-feira, 13 de março de 2018

É hoje o LANÇAMENTO NACIONAL de
A GUERRA DE JACQUES

Às 19,30 hs, no CÍRCULO MILITAR em São Paulo
Rua Abílio Soares, 1285 - Vila Mariana - São Paulo, SP