terça-feira, 18 de julho de 2017

POR UMA MASCULINIDADE SADIA – 2a. parte
MILTON  MACIEL
AS RAÍZES PSICOLÓGICAS DO MACHISMO 
 
        “Homens e mulheres já nascem machistas. Isso é o que muito pouca gente percebe. Enquanto se desenrola a luta secular das mulheres por emancipação, tremendas forças inerciais resistem ao seu avanço, apresentadas por homens e, paradoxalmente, por mulheres também. São forças inconscientes e coletivas, são os arquétipos da sociedade patriarcal e machista, formados ao longo dos últimos dez mil anos, que se impõem, irresistíveis, desde o fundo do inconsciente de meninas e meninos, minando toda possibilidade de harmonia e cooperação entre os gêneros, desde a mais tenra infância. Arquétipos são figurações multimilenares do inconsciente coletivo.
 
     Estamos literalmente programados, tanto homens quanto mulheres, para sermos machistas. Essa programação brutal precede o nosso nascimento. Somos, portanto, machistas de nascença. Por muito tempo ficaremos dominados por essas forças incoercíveis. As mulheres tomam consciência delas muito cedo, porque serão, desde meninas, vítimas permanentes desse machismo latente, oculto, que se exterioriza para submergi-las em um mundo de medo e de exploração. Os homens tardam mais a perceber seu papel opressor. Eu, um gaúcho típico da fronteira com o Uruguai, onde vivi até os 14 anos, precisei de quase cinco décadas para cair na real e perceber que o pior no machismo é o fato de ele ser atávico e oculto, inconsciente.” 
 
Excerto extraído de: [Milton Maciel -  O Machismo Oculto, in: “A Bela Morde a Fera” (IDEL, São Paulo, 2009 – pg. 288)]
 
   As mulheres, embora vitimadas pelo machismo, não conseguem perceber que são, ao mesmo tempo, suas propagadoras de geração a geração. Compelidas pela força inconsciente do arquétipo, criam suas filhas para serem A Bela, para serem submissas; e seus filhos, para serem dominadores. Ensinam a elas que elas são fracas e que não são capazes de defender a si próprias quando agredidas ou desrespeitadas, que só um homem poderá defendê-las. Nada pode ser menos verdadeiro. O homem será, quase sempre, o agressor!
 
   Já mães e pais criam seus meninos para serem A Fera,  para serem agressivos, fortes, competitivos, ferozes até. E, dessa forma, castram completamente a possibilidade de um crescimento em que exista respeito e integração verdadeiros entre meninas e meninos, o que vai perpetuar a raiz da futura infelicidade conjugal, de lares emocionalmente desequilibrados, berço para uma nova geração de crianças emocionalmente desbalanceadas, incompletas afetivamente, futuros agressores e agredidas, a ferirem-se uns aos outros inapelavelmente, infelizes no amor, insatisfeitos no sexo. 
 
O machismo é a nossa grande chaga coletiva, a gênese da nossa infelicidade amorosa.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

POR UMA MASCULINIDADE SADIA
MILTON MACIEL

Os números do medo e da covardia: A OMS – Organização Mundial da Saúde – relata que, em todo o mundo, 50% de todas as mulheres assassinadas são vítimas de seus próprios homens, marido, amante, namorado – atual ou ex. Há vários países em que mais de 70% das mulheres foram ou são vítimas de agressão física contumaz e onde mais da metade delas relatam que sua primeira relação sexual foi forçada. 
 
Quando, em 2009, Ellen Snortland e eu lançamos nosso livro "A BELA MORDE A FERA" em São Paulo, fomos convidados pelo Geledès – Instituto da Mulher Negra – para fazer uma apresentação no Hospital de São Mateus, da Prefeitura paulistana, onde funciona uma unidade para mulheres agredidas. Havia cerca de cem mulheres, sendo 80 delas as agredidas, mais algumas assistentes sociais, psicólogas e enfermeiras do hospital. 
 
Ellen – uma brilhante ativista, escritora, jornalista e instrutora de autodefesa de Los Angeles, USA – falou a elas, enquanto eu fazia a tradução para o português. A seguir Ellen fez várias demonstrações de movimentos de autodefesa feminina contra as diferentes formas de agressão. Só algumas poucas mulheres não puderam nos assistir naquele dia: elas estavam imobilizadas em leitos da enfermaria, impossibilitadas de se moverem, tal a gravidade dos ferimentos e fraturas a que foram submetidas pela covardia selvagem de seus agressores.
 
Mas foi o caso de uma dessas ausentes o que mais nos chocou. Ela estivera internada até um par de dias antes de nossa apresentação. O ex-companheiro, não aceitando a separação, como é tristemente usual, jogou nela um balde de gasolina e ateou fogo. Ela ardeu por inteiro e agonizou por uma semana no Hospital de São Mateus. Não resistiu. Morreu – horrivelmente desfigurada.
 
Felizmente desta vez o castigo veio rápido, o que quase nunca acontece. O imbecil não percebeu que uma parte da gasolina arremessada com força sobre a mulher simplesmente respingou em sua própria roupa. Ou seja, ele também queimou junto! Só que com muito menos gravidade. Socorrido ao mesmo hospital, padeceu dias de agonia e dores atrozes, até poder ser removido e escoltado pelos policiais de plantão para a delegacia e, posteriormente para a prisão. Onde outros presos, gentilmente, o ajudaram a se livrar do planeta Terra ligeirinho.
 
Pois a causa de todas essas desgraças atende por um só e único nome: MACHISMO! E é aí que nós, homens, temos a obrigação de intervir e entrar na luta para interromper a propagação da eternamente repetida violência física, psicológica e sexual contra a mulher. (A CONTINUAR)

sábado, 15 de julho de 2017

IT'S SATURDAY
F#m - Songwriter MILTON MACIEL

It's Saturday
and by the way,
here is something
I have to say:

A caring hug,  a tender kiss
and telling her "I miss, I miss
your body warmth
inside my arms,
your presence here,
'cause in my heart
you're always there.


You're always there,
inside my skin,
Singing this love
is all I mean."
It's Saturday,
a blessed day,
because she's here,
because she's here

sábado, 1 de julho de 2017

Pediatras americanos recomendam ler para bebês DESDE O SEU NASCIMENTO!
MILTON MACIEL (Crônica Jornal do iririu, 26/7/17)

Gal Costa me contou que sua mãe, Mariinha, quando estava grávida desta sua única criança, parava tudo o que estivesse fazendo à uma da tarde, sentava-se e colocava o radio sobre a barriga. E durante uma hora, todos os dias, durante toda a gestação, sintonizava, com som bem suave, um programa que tocava músicas direto, sem propaganda, PARA QUE SEU BEBÊ PUDESSE OUVIR.

         E Gal me falou que tem certeza que foi isso que influenciou sua única vocação de toda uma vida: “Desde que me conheço por gente, eu sabia que ia ser cantora, sempre quis ser cantora, só cantora.”

Ela me disse que, quando tinha 5 para 6 anos, Sandra e Dedé Gadelha, que já tinham 9 e 8 anos, levavam Gracinha (Gal) e um caixote para uma pracinha pertinho da casa delas, em Salvador; colocavam Gal sobre o caixote e faziam-na cantar para o povo. As pessoas adoravam, as meninas maiores pediam moedinhas para o público e... assim que viam que tinham o suficiente para pagar as entradas da matinê do cinema, saiam correndo para lá e deixavam Gracinha sozinha na praça, em cima do caixote, chorando. Gracinha cresceu para se tornar a maior cantora do Brasil. Sandra cresceu e casou com Gilberto Gil. Dedé cresceu e casou com Caetano Velloso.

Por que estou contando isso? Para chamar sua atenção para este outro assunto: A Academia Americana de Pediatria (AAP) recomendou que os pais leiam para seus filhos desde o nascimento(!) até pelo menos os três anos, para estimular a aquisição da linguagem e outras capacidades comunicativas. Repito: DESDE O NASCIMENTO. Na verdade, recomendo que o faça desde que sua criança está NO VENTRE. Como Gracinha. Diz a Academia:

“Ler histórias com regularidade para crianças pequenas desde o seu nascimento, estimula de forma ótima seu cérebro e reforça a relação com os pais, em um momento crucial de seu desenvolvimento. Em contrapartida, as crianças desenvolvem a linguagem, o aprendizado da leitura e adquirem capacidades sócio-emocionais para o resto de suas vidas”. PARA O RESTO DE SUAS VIDAS, entendeu?.

Esta recomendação se apóia num fato cada vez mais reconhecido pelos neurologistas: uma parte crucial do desenvolvimento do cérebro se dá nos primeiros três anos de vida. Por isso a APP pede a seus membros que “incentivem todos os pais a ler em voz alta textos para seus filhos pequenos, o que pode reforçar a relação entre ambos e prepará-los para adquirir linguagem e as primeiras bases para a leitura”.

Quando eu tinha 4 anos e meio minha tia Santa me ensinou a ler em um dia. E isso mudou minha vida PARA SEMPRE. Quando entrei na escola eu já era um emérito leitor. Por isso fui sempre primeiro lugar da classe. Depois apliquei a mesma coisa a meus filhos. Ensinei-os a ler entre 3 e 4 anos. E eles foram sempre primeiro lugar na escola. Simples assim. Este ano estou prestes a completar a marca dos meus 40 livros publicados. Para quem o crédito? Para minha santa tia Santa, que me ensinou a ler e me encheu de livros a infância inteira.

Leitor(a): LEIA PARA SEU BEBÊ enquanto ainda é tempo. Toque música suave, sem barulheira, para ele. Tias, ensinem seus sobrinhos a ler entre os 3 e os 5 anos. Ou mães, pais, avós, etc... Vocês não imaginam a moleza que vai ser a vida escolar deles para vocês, depois.


quarta-feira, 21 de junho de 2017

Lançado o décimo romance de MILTON MACIEL
"A GUERRA DE JACQUES"
O Escritor Milton Maciel
Livros de Milton Maciel 2017:

segunda-feira, 19 de junho de 2017

LIVRA-ME, LIVRO 
MILTON MACIEL

Livra-me, Livro, do SILÊNCIO

Porque de ti vem som de vozes e palavras,
Que ouço na mente, ora suaves, ora bravas,
Ora sussurros, meiga poesia, acerba prosa.
Vem-me o sonido da música harmoniosa,
Que cantas desde as pautas e das claves.
Enches-me os olhos com imagens multicores,
Falas de vida, de sonhar, falas de amores
E também gritas o sofrer das horas graves.

Livra-me, Livro, da SOLIDÃO

Porque que em ti está o melhor remédio
Para o olvido, o abandono, para o tédio,
Quando a vida lá fora faz-se escura.
Abro tuas páginas e então - magia pura! -
Saio do meu, pois mergulho no teu mundo.
Horas a fio tu me embalas e me aqueces,
Mostras caminhos, aventuras, mostras preces
E que outros vivem em abismo mais profundo.

Livra-me, Livro, da IGNORÂNCIA

Porque é contigo que aprendemos cada passo.
Desde pequenos foste-nos régua e compasso,
Pois que ensinar é tua mais nobre missão.
Do bê-á-bá aos compêndios de profissão,
Foram tuas páginas as mãos que nos guiaram.
Encadearam-se, dentro em ti, milhões de mentes,
Desde os primórdios até os tempos mais presentes,
Que do cegar da ignorância nos livraram.

Livra-me, Livro, do ORGULHO

Muitos de nós em tuas folhas se embebedam,
Sobe-lhes à mente o Saber tal qual o vinho.
É em saber mais, só saber mais, que se obsedam.
Mas, sem compartir, o Saber se faz mesquinho!
Mostra-nos, Livro, quando nos julgarmos sábios,
Mil bibliotecas, com milhões de alfarrábios,
A que jamais chegaremos... numa só jornada.
Lembra-nos sempre, com teu paternal carinho,
Que nós, no fundo, não sabemos quase NADA!

(Ilustração: Câmara Brasileira do Livro)